13 dezembro 2016

CRÔNICA :: DE REPENTE, QUARENTA!

Fotos: Reprodução

É oficial! "Avancei algumas casas" e cheguei aos quarenta. Passa um filme na cabeça, pensando em tudo o que vivi até aqui. As alegrias, tristezas, vitórias, fracassos, altos e baixos, mudanças... e fazendo um rápido balanço da minha trajetória, percebi que não é tão simples 'envelhecer'. Ok, sei que estou exagerando, já que não estou velha, mas sei que não tenho mais o tempo e o frescor da juventude. Fato! 

A verdade é que agora tudo vai ficando mais urgente. E eu não posso mais errar (ou pelo ao menos, não quero). Eu me cobro. A família cobra. A sociedade cobra. Todos cobram. Aliás, somos cobrados a vida inteira, né. E a medida que vamos crescendo, as cobranças só aumentam. Quer um exemplo? A família, os amigos e até mesmo a sociedade "afirmam" que devemos ser financeiramente bem sucedidos antes dos 30 anos e bem resolvidos emocionalmente, academicamente e profissionalmente. 

Sim, você deve ter uma formação acadêmica e se possível, ter Mestrado, Doutorado, Especialização ou ainda, MBA, só pra garantir. Pode incluir no pacote, falar inglês, francês, espanhol e se possível, alemão e italiano, porque profissional bom é profissional poliglota. 

Já tem casa própria (ou apartamento)? Comprou seu carro? Viajou para os principais países do mundo? Já plantou uma árvore? Escreveu um livro sobre suas memórias? Ah, e não se esqueça de estar em forma - fazendo dieta e se exercitando -, porque se engordar, não vai arrumar um namorado e não pode ficar pra titia. Acha que acabou por ai? Se estamos namorando, querem saber quando iremos casar. Se casamos, quando virão os filhos. Se veio o primeiro, quando chega o segundo, o terceiro e por ai vai. 

As cobranças são intermináveis e contínuas e se deixamos isso tomar proporção maior que deve, surtamos, já que humanamente falando, ninguém corresponde a todas as expectativas geradas na vida, seja por nós mesmos ou pelas pessoas que nos rodeiam. Se tentar, te garanto, você surta!

Não resta a menor dúvida que eu gostaria de ter chegado aos trinta anos, completamente realizada e estável, mas não foi essa a minha realidade. E se aos trinta não estava, em preciso dizer como estou agora. De repente me vi com quarenta anos, sem estabilidade nenhuma, seja financeira, profissional e tão pouco emocional (já que a mesma foi abalada, por todo o resto). 

Sei que faltou educação financeira e planejamento pro futuro, mas mais importante, faltaram determinação e foco. Muitos tem seus projetos e/ou sonhos frustrados, mas arregaçam as mangas e continuam; insistem, vão a luta e se reerguem. Eu depois de uma sucessão de tentativas frustradas na carreira que resolvi seguir (abandonei a Educação Física para me lançar na moda e nada vingou) recuei, estagnei, entreguei os pontos. 


E o que resultou de tudo isso? Em uma pessoa cheia de ideias, sonhos e projetos... recuada, entregue!. Sim, com medo de me lançar para não se frustrar mais uma (duas,...)vez, me tornei uma dona de casa: preparar a comida, ir ao mercado, lavar a louça e a roupa, tirar o lixo, limpar a casa... ufa! Não que eu não goste de cuidar da minha casa, pelo contrário, amo casa organizada, limpa e cheirosa e mais ainda, de preparar o jantar, montar uma mesa especial para comer com o marido (ou mesmo visitas quando as recebo), masss, não quero fazer SÓ ISSO da vida, entende?! Não nasci pra isso.

A sensação que tenho é que eu simplesmente me "desconectei" de mim mesma. Por mais que eu tentasse, não conseguia " ir a luta". Passou um... dois... dois anos e meio..., e eu ali, em cima do muro, com medo de apostar e saber se dessa vez enfim, eu iria engrenar ou quebrar a cara novamente. 

E o preço disso é alto, porque você se vê dependente do seu parceiro pra fazer qualquer coisa (sair, ir ao salão... )e pior, ele não pode contar com você, já que sem trabalho, sem renda. E ai a auto-estima que abala (você se acha feia, fora de forma..) e se não tem sentimento e uma base forte, a relação também se abala. 

Sorte que tenho um parceiro incrível, que mesmo me vendo desanimada, me incentiva, empurra pra cima e acredita em mim e nas minhas ideias, mesmo quando nem eu mesmo acredito. 
Jennifer Aniston bela aos 47 anos, mostrando que os anos podem passar de forma suave...

A década de trinta passou ( mesmo tendo a sensação que passou a 200km/hora). Conheci o amor da minha vida. Mudei de estado (de Brasília para o Rio de Janeiro) Engravidei, perdi (por isso o sumiço nos últimos meses aqui no blog). Conheci pessoas incríveis (outras, nem tanto). Viajei bastante e conheci lugares que jamais cogitei ir, como Cartagena das Índias na Colômbia, México (preciso voltar em Zihuatanejo, no México. Paraíso!) e Buenos Aires, Argentina.

Como pode perceber, passei dos 30, cheguei aos 40 e a sensação é de últimos dez anos foram bastante positivos, de modo geral e a transição para a nova idade não me abalou nem um pouco. Os 40 surpreendem pra mais e pra menos, afinal! 

Olhando bem pro espelho, acho que o tempo tem sido generoso comigo e os anos tem passado muito bem, obrigada! Claro, que já vejo os sinais de expressão (rugas??!!) mais evidentes, um ou outro cabelo branco, a demora no resultado de um exercício (mais do que quando tinha vinte anos). Sem falar naquela disposição fazer tudo hoje-já-imediatamente, que tinha mais nova e definitivamente não tenho mais. Noitada? Não lembro a última vez que fiz isso, até porque minha diversão ficou mais diurna, rs.



Lembro de quando tinha mais ou menos vinte anos, o vídeo “Filtro Solar”(acima) viralizou e uma das partes que mais mexeu (e ainda mexe até hoje) comigo na época foi: “Não tenha sentimento de culpa se não sabe muito bem o que quer da vida, as pessoas mais interessantes que conheço não tinham aos 22 anos, nenhuma ideia do fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 que conheço ainda não sabem”. Acho que isso explica muita coisa. 

Estou longe de saber como será todo o resto da minha vida. Ainda posso (e provavelmente vou!) mudar de ideia, tal e qual eu fazia aos 25. Assim como posso (e certamente vou) errar, tropeçar e dar com a cara na porta, tal e qual eu fiz aos 20, 30... a diferença é que estou mais forte e preparada pra isso, afinal, pra isso que servem os tombos que levamos ao longo da vida, se não para amadurecer?! E eu espero viver muitos anos pra dizer lá na frente, como me sai nos quarenta, cinquenta, sessenta... Que venha a nova idade, a melhor da minha vida, até porque, como dizem por ai "os quarenta, não são os novos trinta?!"

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